O negócio de ‘special situations’ está se tornando cada vez mais relevante para o BTG Pactual, representando cerca de um terço do resultado do banco. Quem fez aO negócio de ‘special situations’ está se tornando cada vez mais relevante para o BTG Pactual, representando cerca de um terço do resultado do banco. Quem fez a

‘Special sits’ já responde por 36% do lucro do BTG, estima o JP Morgan

2026/03/18 01:29
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O negócio de ‘special situations’ está se tornando cada vez mais relevante para o BTG Pactual, representando cerca de um terço do resultado do banco.

Quem fez as contas foi o JP Morgan.

Num relatório publicado hoje, o analista Yuri Fernandes nota que boa parte do resultado da área vem dos chamados créditos do FCVS, uma dívida que o Tesouro Nacional tem com alguns bancos e que remonta aos anos 90.

Uma fonte próxima ao BTG disse ao Brazil Journal que o JP Morgan usa assumptions exagerados no relatório e que muito do que está assumido como lucro derivado das operações dos bancos é na verdade receita.

O banco de André Esteves passou a ter direito a esses créditos ao comprar bancos quebrados como o Nacional, Besa e Sistema, que são os credores originais desses ativos. Essas aquisições são feitas pela área de ‘special sits’ do banco, e frequentemente exigem interlocução com o Banco Central e o envolvimento pessoal de Esteves.

Nas contas do JP, só os créditos do FCVS podem ter gerado de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão em receitas para o BTG no ano passado.

Para este ano, o time do JP Morgan estima que o BTG ainda tenha de R$ 800 milhões a R$ 1,4 bilhão a receber desses créditos.

“Na nossa visão, esses ganhos podem explicar parte do aumento de 40 basis points no yield do corporate lending no período entre 2022 e 2025,” escreveram os analistas.

“Ainda que esses casos sejam de certa forma únicos, e que o FCVS deva acabar em breve, o BTG tem construído um forte track record em tornar ganhos não-recorrentes em ganhos recorrentes.”

No relatório, o JP reconhece que sua estimativa para a receita do segmento de ‘special sits’ não é perfeita.

Segundo a divulgação por subsidiária, os bancos Nacional, Econômico e Sistema representaram um terço dos resultados do BTG no quarto tri, com o Banco Nacional sozinho respondendo por cerca de 26%.

“No entanto, não achamos que seja totalmente justo olhar para o desdobramento contábil, pois pode haver alguma alocação de lucros nessas subsidiárias devido a vantagens fiscais,” escreveram os analistas. 

“Não é uma métrica perfeita, mas, direcionalmente, acreditamos que esse segmento está se tornando cada vez mais material para o BTG.”

Basicamente, os créditos FCVS são recebíveis devidos pelo Tesouro a bancos credores, que foram originados nas décadas de 60 a 90 de hipotecas residenciais com saldos residuais devido a descasamentos de indexação (salário versus inflação). 

No balanço dos bancos, esses créditos estão reconhecidos com um desconto em relação ao valor de face por conta dos riscos sobre o pagamento. 

Esses créditos geram receita para o BTG de três formas: o saldo é corrigido a cerca de 6% ao ano; há ajustes na marcação a mercado quando os pagamentos diferem do valor original registrado; e eles podem gerar também reversões de provisões. 

Segundo o JP Morgan, as aquisições do Nacional, Besa e Sistema trouxeram R$ 14 bilhões em créditos FCVS para o balanço do BTG. 

Desse total, os analistas estimam que o BTG ainda carregue cerca de R$ 4 bilhões.

“Esperamos que os acordos do FCVS sejam concluídos pelo Tesouro até o final de 2026. Portanto, vemos a maior parte dessa receita sendo reconhecida ainda neste ano,” escreveram os analistas. 

Para estimar quanto o BTG ainda poderia gerar de receita com esses créditos, o JP simulou dois cenários. O primeiro, considerando receitas de juros e marcação a mercado, seria uma conversão de 27% do total, ou R$ 1,1 bi. O segundo, que considera também reversão de provisões, seria de uma conversão de 45%, o que daria R$ 1,8 bi.

“Mas há duas ressalvas. Não temos os dados do Banco Central para o quarto tri, e parte disso pode já ter sido reconhecida, especialmente considerando os fortes resultados do Nacional no trimestre,” escreveram os analistas.

“Se excluirmos proporcionalmente um de cinco trimestres (ou seja, o quarto tri dentro da janela do 4T25 a 4T26), o EBT futuro ajustado a ser reconhecido seria de R$ 800 milhões a R$ 1,4 bilhão em 2026.”

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