A WapiPay, uma fintech queniana de pagamentos transfronteiriços, entrou no mercado norte-americano após obter uma licença de Empresa de Serviços Monetários (MSB) do Centro de Análise de Transações e Relatórios Financeiros do Canadá (FINTRAC), no âmbito da expansão global da empresa.
A licença permite à empresa oferecer serviços de câmbio, transferência de dinheiro e pagamentos no Canadá através de uma subsidiária recém-criada, proporcionando também aprovação regulatória para processar transações com moeda virtual e ativos digitais.

A aprovação confere à empresa fundada em Nairóbi o seu primeiro centro operacional regulamentado na América do Norte, alargando uma rede de pagamentos que já inclui África, Ásia, Reino Unido e as Caraíbas.
"Garantir uma presença na América do Norte através da obtenção de uma licença de Empresa de Serviços Monetários é um marco importantíssimo para a WapiPay", afirmou o cofundador e CEO Edward Ndichu ao TechCabal no sábado.
"Ao combinar capacidades de pagamento em moeda fiduciária tradicionais com moedas virtuais e ativos digitais no âmbito de um robusto quadro regulatório canadiano, estamos a construir a próxima geração de infraestruturas financeiras globais."
A expansão surge numa altura em que as startups de fintech africanas procuram licenças regulatórias em múltiplas jurisdições para facilitar pagamentos transfronteiriços mais rápidos, especialmente entre mercados desenvolvidos e economias emergentes onde a banca correspondente continua a ser dispendiosa e fragmentada.
De acordo com o Banco Mundial, enviar 200 dólares para a África Subsaariana custa em média cerca de 7,7% do valor da transação, tornando-o o corredor de remessas mais caro do mundo e muito acima da meta de 3% dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Isto cria um grande mercado para as fintechs que prometem liquidações mais rápidas e mais baratas.
A entrada na América do Norte faz parte da expansão global da fintech ao longo do último ano, disse Ndichu ao TechCabal. Em abril, a WapiPay obteve aprovação regulatória para lançar operações na Jamaica, utilizando a nação caribenha como porta de entrada para fluxos de remessas e comércio entre África, Ásia e as Caraíbas.
Fundada em 2019 pelos gémeos Eddie Ndichu e Paul Ndichu, a empresa focou-se inicialmente em facilitar pagamentos entre África e Ásia, tendo como alvo comerciantes e pequenas empresas que movimentam mercadorias nesses corredores. Mas nos últimos meses, também começou a aprofundar-se nos serviços financeiros que assentam sobre essas transações.
Em fevereiro, lançou uma plataforma de pontuação de crédito baseada em remessas, concebida para ajudar os bancos quenianos a utilizar as remessas da diáspora na avaliação de mutuários com pouco ou nenhum historial de crédito formal, numa tentativa de transformar milhares de milhões de dólares em remessas anuais em dados financeiros utilizáveis pelos credores.

